02/08/2021 às 14h03min - Atualizada em 02/08/2021 às 14h03min

Retorno às aulas presenciais no Brasil: O que dizem especialistas em saúde sobre o tema

Escolas começam a retomar suas atividades presenciais no 2º semestre de 2021 e especialistas afirmam que não há risco zero de contaminação.

Mariana G.
Freepik

Suspensas desde março de 2020 em decorrência da pandemia de Covid-19, as aulas remotas prevaleceram por mais de um ano, como única modalidade educacional a que se tinha acesso. Embora seu uso emergencial tenha sido extremamente importante para garantir segurança aos estudantes e professores, o prolongamento desta modalidade já possui graves consequências na aprendizagem e desenvolvimento dos alunos, além de também ter deixado o Brasil entre os países que mais demoraram a retomar as atividades presenciais. 

De acordo com um relatório feito pelo Banco Mundial, que analisou os impactos da COVID-19 na educação dos países da América Latina e Caribe, dois a cada três alunos brasileiros podem não aprender a ler adequadamente um texto simples aos 10 anos de idade. 

Sob essa perspectiva, o médico epidemiologista Wanderson Oliveira, ex-secretário de vigilância em saúde, que participou do evento Classes Abertas, produzido pelo Canal Futura em parceria com a Fundação Roberto Marinho, afirmou que é necessário garantir a manutenção das medidas de prevenção na escola, tendo em vista que a escola é uma extensão do domicílio.

 

“Nós não podemos deixar de garantir a manutenção das medidas de prevenção. Então, nós temos que entender que a escola é uma extensão do domicílio [...]. Então eu preciso compreender e respeitar o próximo usando máscara, fazendo distanciamento físico, lavando as mãos com regularidade, garantindo salas ventiladas, garantindo e privilegiando as atividades ao ar livre e também cuidando para que as crianças e os adolescentes, assim como os professores, façam uso desses equipamentos de uma maneira correta.” Diz Wanderson Oliveira, ex- secretário de vigilância em saúde., para o evento Classes Abertas.

 

Wanderson também reiterou que o risco de contaminação na escola não ultrapassa o da comunidade social, mas que na verdade é igual ou até menor. No entanto, o epidemiologista ressalta que ainda estamos vivenciando a pandemia e que não há risco zero de contaminação.

 

“Se a escola implementa e mantém essas medidas de forma adequada e correta, o risco é muito menor do que na própria comunidade. Lembrando sempre que nós estamos no meio da pandemia, ainda estamos com a circulação do vírus e nem por isso nós podemos garantir risco zero. [...]. A probabilidade de alguém ficar doente na escola é mínima e se ela acontecer, não é sinal de fracasso das medidas, faz parte do processo. [...] É fundamental que a escola seja inserida nesse contexto, porque não tem saída para esta situação que não passe pela educação, e a educação é o que vai nos tornar seguros e qualificados pra enfrentar essa pandemia.”

 

A médica pediatra e infectologista, Luciana Becker, que também esteve presente no evento Classes Abertas, enfatizou o quanto a comunicação sobre essa temática precisa ser clara para transmitir segurança sobre o retorno às aulas.

 

“As crianças de forma geral têm doença leve, têm pouca internação, poucos desfechos desfavoráveis. As crianças não são as principais disseminadoras da doença. A escola pode funcionar de forma segura [...]. Isso precisa ficar muito claro para a comunidade escolar, para trazer essa segurança.” afirma Luciana Becker.

 

Além disso, Luciana também sugeriu às pessoas que estão com medo de retornarem às aulas, que procurem sua comunidade escolar para tomar ciência de quais medidas estão sendo tomadas para um retorno seguro. Segundo ela, aderir a pequenos protocolos, como higiene das mãos, uso de máscara, ventilação do ambiente e distanciamento de sintomáticos tornam o ambiente escolar mais seguro do que estar na rua. 

 

O retorno às aulas presenciais também foi defendido pelo Ministro da Educação, Milton Ribeiro, que em um pronunciamento feito no último dia 20 de julho, disse que o Brasil não pode continuar com as escolas fechadas gerando impacto negativo. Para o Ministro, a volta às aulas é uma necessidade urgente e que o fechamento das escolas implica em consequências devastadoras. 

 

"O ministro da Educação não pode determinar o retorno presencial das aulas. Caso contrário, eu já teria determinado", afirmou. 

 

Já em uma entrevista à Folha de São Paulo, o epidemiologista André Ricardo Ribas Freitas, professor da Faculdade de Medicina São Leopoldo Mandic, afirmou que o retorno às aulas é indispensável, mas que deve ser feito com cautela e preparo, garantindo a vacinação dos professores e o distanciamento na sala de aula. 

Entretanto, apesar da defesa ao retorno ser ampla, estimulado pelo Ministério da Educação (MEC) e extremamente importante para a comunidade escolar em decorrência das graves consequências de aprendizagem dos alunos, a decisão de retomar ou não cabe somente aos estados e municípios. 

De acordo com um levantamento feito pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED), atualizado na última quinta-feira (29), cerca de nove estados e o Distrito Federal confirmaram a volta ao ensino presencial ao menos para uma parcela dos estudantes.  Os estados são: Alagoas, Acre, Ceará, Sergipe, Goiás, Piauí, Roraima, Tocantins e Mato Grosso do Sul. Esses estados se somam com: Rio de Janeiro, Amazonas, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, que já retomaram ao menos alguma atividade presencial durante este ano.  Os outros estados ainda estão sem definição. Já para as escolas particulares, o retorno presencial é permitido em todo o país de acordo com a Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) e cabe às próprias escolas definir como será essa retomada.

 

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